Avis e a Barragem do Maranhão

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Este post é longo, mas não poderia ser de outra forma se tudo aquilo que nos faz feliz nos faz soltar a língua e falar do assunto como se não houvesse amanhã. Com este passeio não poderia ser diferente.

Este foi o último passeio que fiz em Portugal este ano. E, embora curto, valeu tanto, mas tanto a pena! E o mais-que-tudo conhece-me bem e proporcionou-me a mistura perfeita: água + Alentejo.

E foi com as memórias felizes deste fim-de-semana que me atirei de cabeça para esta aventura nipónica. Sabendo que tenho o melhor (e mais bonito) país do mundo à minha espera, de braços abertos.

A Herdade da Cortesia fica a poucos minutos da linda e pacata vila de Avis. Uma vila pintada das cores do Alentejo: branco (muito branco!) e barras azuis, vermelhas, amarelas ou, nalguns casos, de outras cores menos comuns (não necessariamente mais arrojadas, mas sem dúvida mais modernas), cujo conjunto resulta na perfeição.

O dia amanheceu ventoso e acinzentado, mas nem isso me tirou o entusiasmo de explorar mais este cantinho do Alentejo. O branco das casas caiadas e o contraste com a natureza verdejante e com as planícies douradas salpicadas por sobreiros fazem desta zona de Portugal uma das mais belas que conheço. 

Visitámos a vila a um domingo e, tal como já esperávamos, encontrámo-la deserta, quase em modo fantasma, mas assim foi melhor porque pudemos explorá-la ao nosso ritmo, fotografá-la em todo o seu esplendor, sem a ‘poluição humana’ dos locais mais habitados ou turísticos.

E será possível alguém não se apaixonar por esta beleza dourada do Alentejo? Eu já me perdi de amores por esta terra e agora não há nada que possa mudar isso.

Mas se o dourado me gusta, o azul me encanta. E este passeio nunca poderia ficar completo sem uma voltinha de barco pela barragem do Maranhão. E acreditem, é um espectáculo que vale a pena.

À entrada do barco os sapatos ficam na rua (seria quase uma antecipação dos costumes nipónicos?). Então descalçámo-nos, trepámos para dentro do barco, e seguimos à descoberta.

E demos logo de caras com estas bonitas margens escarpadas, que são o sinal perfeito do tempo e da erosão. Afinal, também o desgaste pode ser bonito, não acham?

E a vida selvagem que assentou aqui e que agora não quer outra coisa proporciona um espectáculo de levantamentos e aterragens digno de ser apreciado. Confesso que não me foi fácil captá-lo (ainda não domino a minha máquina como gostaria), mas o que a máquina não capta esperamos que fique para sempre retido na memória.

O que vêem na fotografia acima questionei-me eu algumas vezes até finalmente confirmar as minhas suspeitas com o nosso condutor (e guia): uma casa (ou seria aldeia?) num pequeno monte, que ficou submersa com a construção da barragem e que torna este passeio ainda mais interessante. Tivémos imensa sorte de conseguir vê-la, porque o nível da barragem estava relativamente baixo. Caso contrário não teria sido possível (porque o nível máximo da barragem fica uns 7/8 metros acima deste que vêem.

No regresso o inevitável sorriso e a esperança de poder repetir, um dia, este passeio, mas com mais tempo… Porque é quase um crime andar a correr num sítio onde tudo nos inspira tranquilidade, calma e ausência de stress.

No entretanto fica a pergunta, que mais sítios no Alentejo me aconselham a visitar? Já conheço a costa alentejana e a zona da barragem do Alqueva, mas de resto aceitam-se sugestões para o meu regresso.

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  1. O Alentejo é magnífico! Não dá para não morrermos de amores pela calma e pela mistura de cores secas e vivas, mas parece que há qualquer coisa que não se sabe bem o que é e que nos prende… ora, para visitar, adoro, adoro, adoro Vila Nova de Milfontes, Évora, e Odeceixe também tem muito boa fama. Mas gosto muito de dar umas voltas de carro e descobrir aquelas vilas no meio do nada, onde tudo é calma e sossego – e as casa caiadas de branco!

    Jiji

  2. o teu tio, também ele um apaixonado pelo Alentejo, sugere Monsaraz, Pulo do Lobo (mas aqui quando o Guadiana tiver um bom caudal), Serpa, Moura, Beja, Mértola…olha faz melhor perde-te no Alentejo e acredita que vai valer a pena…porque o Alentejo é especial…